Guia de Mecânica · Módulo 4 · Série #4 da Lista 2

O preço de derivar num eixo que gira

Até agora havia um observador só. Agora entram dois — e a mesma pergunta passa a ter duas respostas certas. Traduzir entre elas custa um termo a mais, que aparece multiplicado por dois e que ninguém entende de primeira. Este módulo mostra de onde vem cada um dos dois.

§0

O mapa: a pergunta muda de forma

Nos três módulos anteriores, "a velocidade do ponto P" era uma coisa só. Aqui não é mais. Um homem sobe a escada de um caminhão de bombeiros que avança e gira: para ele a escada está parada e ele sobe a 1 m/s; para quem está na calçada, ele descreve uma curva complicada. As duas descrições estão certas.

A pergunta desta série

Dado o movimento de um ponto medido por um observador que gira, qual é o movimento medido por um observador parado? A resposta é uma regra de tradução — e ela sai, de novo, do Lema do Módulo 1.

Três palavras aparecem em todo enunciado da série, e vale fixá-las antes de qualquer conta:

TermoSignificaPergunta que o define
relativomedido pelo observador que se move junto"o que eu vejo se estou em cima da coisa que gira?"
de arrastamentoo que o ponto teria se estivesse soldado ao referencial móvel"e se ele parasse de se mexer em relação à plataforma, só sendo carregado por ela?"
absolutomedido pelo observador parado"o que a calçada vê?"

E o \(\vec\omega\) da série é o vetor rotação do referencial móvel — a plataforma, a cabine, a escada, o triedro \(Oxyz\). É a quarta e última fantasia do mesmo teorema.

Como usar este guia

Cada seção tem um código (§3.1, V2, P-B). Me chame por ele. As caixas "Confira depois de tentar" escondem resultados — tente antes.

§1

A regra de ouro: derivar depende de onde você está

Tome um vetor qualquer \(\vec V\) e escreva-o na base do referencial móvel, \((\hat e_1,\hat e_2,\hat e_3)\):

$$\vec V = V_1\hat e_1 + V_2\hat e_2 + V_3\hat e_3$$

Derive no referencial fixo, lembrando que ali os próprios versores estão girando:

$$\left.\frac{d\vec V}{dt}\right|_{\text{fixo}} = \underbrace{\sum_i \dot V_i\,\hat e_i}_{\text{(A)}} \;+\; \underbrace{\sum_i V_i\,\frac{d\hat e_i}{dt}}_{\text{(B)}}$$

Os dois pedaços têm nomes:

  • (A) é a derivada que o observador móvel mede. Para ele os \(\hat e_i\) são fixos — só os números \(V_i\) mudam. Isto é \(\left.\frac{d\vec V}{dt}\right|_{\text{rel}}\).
  • (B) é o Módulo 1 batendo na porta. Os \(\hat e_i\) formam um triedro ortonormal: módulos e ângulos constantes. Pelo Lema, \(\frac{d\hat e_i}{dt} = \vec\omega\wedge\hat e_i\). Somando, \(\sum_i V_i\,\vec\omega\wedge\hat e_i = \vec\omega\wedge\vec V\).
A regra de ouro — tudo nesta série sai daqui $$\left.\frac{d\vec V}{dt}\right|_{\text{fixo}} = \left.\frac{d\vec V}{dt}\right|_{\text{rel}} + \vec\omega\wedge\vec V$$

Vale para qualquer vetor: posição, velocidade, e até o próprio \(\vec\omega\) de outro corpo. Não é uma fórmula de cinemática — é uma regra de derivação.

Repare no que ela significa fisicamente: um vetor pode estar parado para quem gira junto e mesmo assim ter derivada absoluta não nula. O ponteiro pintado na plataforma não muda nada em relação à plataforma, e mesmo assim está girando. A diferença entre as duas leituras é exatamente \(\vec\omega\wedge\vec V\).

V1 Parado para um, girando para o outro

O vetor dourado está pintado na plataforma: para quem gira com ela, ele não muda — a derivada relativa é o que você controla no segundo slider. A seta vermelha é a derivada absoluta, e ela continua existindo mesmo com a derivada relativa zerada. A diferença entre as duas é sempre \(\vec\omega\wedge\vec V\), a seta azul.

|dV/dt| relativa
0.00
|ω ∧ V|
0.00
|dV/dt| absoluta
0.00
o vetor V ω ∧ V derivada absoluta
§2

Velocidade: arrastamento mais relativa

Seja \(O'\) a origem do referencial móvel. Quebre a posição em duas pernas e derive no fixo:

$$(P-O) = (P-O') + (O'-O)$$

A segunda perna dá \(\vec v_{O'}\). Na primeira, aplique a regra de ouro:

$$\vec v_{\text{abs}} = \underbrace{\vec v_{O'} + \vec\omega\wedge(P-O')}_{\textstyle \vec v_{\text{arr}}} \;+\; \underbrace{\left.\frac{d(P-O')}{dt}\right|_{\text{rel}}}_{\textstyle \vec v_{\text{rel}}}$$
A decomposição da velocidade $$\vec v_{\text{abs}} = \vec v_{\text{arr}} + \vec v_{\text{rel}}$$

E olhe a cara do \(\vec v_{\text{arr}}\): \(\vec v_{O'} + \vec\omega\wedge(P-O')\) é exatamente a fórmula fundamental do corpo rígido do Módulo 2. Não é coincidência. O arrastamento é a velocidade que \(P\) teria se estivesse soldado no referencial móvel — e um ponto soldado é um ponto de um corpo rígido.

Essa leitura resolve metade dos erros da série. Para calcular \(\vec v_{\text{arr}}\) você não olha o que o ponto está fazendo; você congela o movimento relativo, imagina o ponto colado na plataforma, e calcula a velocidade dele como ponto do corpo rígido "plataforma". Depois soma o que ele faz por cima disso.

Teste imediato: se o ponto é fixo no referencial móvel, então \(\vec v_{\text{rel}} = \vec 0\) e tudo é arrastamento. Se numa questão dessas você achou \(\vec v_{\text{rel}} \neq \vec 0\), errou a escolha do referencial ou a leitura do vínculo.

V2 Uma reta para um, uma espiral para o outro

A formiga anda em linha reta sobre a régua vermelha — é isso que ela sente, e por isso a régua é o referencial móvel certo. O rastro dourado é o caminho que a calçada vê: uma espiral. Nenhum dos dois está errado. As três setas mostram a soma \(\vec v_{\text{abs}} = \vec v_{\text{arr}} + \vec v_{\text{rel}}\) fechando o triângulo.

|v_rel|
0.00
|v_arr|
0.00
|v_abs|
0.00
a régua e v_rel v de arrastamento v absoluta trajetória absoluta
§3

Coriolis: por que o termo aparece duas vezes

Derive a velocidade absoluta mais uma vez, no fixo, com \(\vec\alpha = \dot{\vec\omega}\):

$$\vec a_{\text{abs}} = \vec a_{O'} + \vec\alpha\wedge(P-O') + \vec\omega\wedge\left.\frac{d(P-O')}{dt}\right|_{\text{fixo}} + \left.\frac{d\vec v_{\text{rel}}}{dt}\right|_{\text{fixo}}$$

Faltam duas substituições, e cada uma solta um \(\vec\omega\wedge\vec v_{\text{rel}}\). Acompanhe as duas separadamente — é o coração do módulo:

  • Primeira origem. No terceiro termo, \(\left.\frac{d(P-O')}{dt}\right|_{\text{fixo}} = \vec v_{\text{rel}} + \vec\omega\wedge(P-O')\). Ao multiplicar por \(\vec\omega\wedge\), nasce um \(\vec\omega\wedge\vec v_{\text{rel}}\). Significado: o campo de arrastamento é avaliado num ponto que não fica parado sobre a plataforma — ele escorrega para regiões onde o arrastamento é diferente.
  • Segunda origem. No quarto termo, pela regra de ouro, \(\left.\frac{d\vec v_{\text{rel}}}{dt}\right|_{\text{fixo}} = \vec a_{\text{rel}} + \vec\omega\wedge\vec v_{\text{rel}}\). Significado: o próprio vetor \(\vec v_{\text{rel}}\) está escrito numa base que gira — mesmo que a formiga não mude nada, a direção do "reto" dela está girando.

Os dois efeitos são diferentes, são reais, e por acaso valem a mesma coisa. Somando:

A decomposição da aceleração $$\vec a_{\text{abs}} = \underbrace{\vec a_{O'} + \vec\alpha\wedge(P-O') + \vec\omega\wedge\big[\vec\omega\wedge(P-O')\big]}_{\textstyle \vec a_{\text{arr}}} + \vec a_{\text{rel}} + \underbrace{2\,\vec\omega\wedge\vec v_{\text{rel}}}_{\textstyle \vec a_{\text{cor}}}$$

Aquele 2 é a pergunta de prova favorita, e agora você sabe respondê-la: não é um fator de correção — são duas contribuições distintas, uma do ponto que escorrega pelo campo e outra da base que gira sob o vetor.

Prove para você mesmo em três linhas

Ponha um ponto correndo radialmente numa plataforma que gira: \(P(t) = v_r t\,(\cos\omega t,\;\sin\omega t)\). Derive duas vezes em coordenadas cartesianas, sem teoria nenhuma. Compare com \(\vec a_{\text{arr}} + \vec a_{\text{rel}} + 2\vec\omega\wedge\vec v_{\text{rel}}\): bate exatamente, e some o 2 que você vai ver aparecer sozinho no meio da conta. Se tirar o fator 2, não fecha.

§3.1Quando Coriolis some

\(\vec a_{\text{cor}} = 2\,\vec\omega\wedge\vec v_{\text{rel}}\) é nulo em exatamente três situações, e todas aparecem na lista:

  • \(\vec\omega = \vec 0\) — o referencial móvel só translada. Um referencial que translada sem girar não produz Coriolis nenhum.
  • \(\vec v_{\text{rel}} = \vec 0\) — o ponto está fixo no referencial móvel. Foi o caso do L2-4.1, em que o ponto de contato não escorrega e \(\vec a_{\text{cor}} = \vec 0\) sai de graça.
  • \(\vec v_{\text{rel}}\) paralela a \(\vec\omega\) — o ponto corre ao longo do eixo de rotação. Mesma ideia do L2-2.4 no Módulo 2: produto vetorial com vetores paralelos é nulo.

Antes de calcular o termo, cheque essas três. Vários itens da série ficam em uma linha.

V3 As três parcelas da aceleração

A mesma formiga, agora com as acelerações. Zere a velocidade relativa e veja o termo de Coriolis desaparecer junto — não é aproximação, é o produto vetorial com o vetor nulo. Depois zere \(\omega\) e observe que sobra só o que a formiga faz por conta própria.

|a_arr| = ω²r
0.00
|a_cor| = 2ω·v_rel
0.00
|a_rel|
0.00
|a_abs|
0.00
arrastamento relativa Coriolis absoluta
§4

Escolher o referencial móvel é 80% da questão

A teoria acabou no §3. O que separa quem resolve rápido de quem trava é uma decisão que se toma antes da primeira conta.

O critério

Escolha o referencial móvel em que o movimento relativo seja trivial — de preferência retilíneo, ou nulo. Se \(\vec v_{\text{rel}}\) ficou complicada, você escolheu errado: volte e escolha outro. Quase sempre o referencial certo é a peça sobre a qual o ponto desliza.

Se o enunciado tem…Referencial móvelMovimento relativo ficaEx.
um cursor ou anel deslizando numa barraa barraretilíneo, ao longo delaL2-4.7, L2-4.8
um homem subindo uma escadaa escadaretilíneo, \(\dot s(t)\)L2-4.4
um peso içado por um guindaste que giraa cabine / a lançavertical, velocidade \(v\)L2-4.2
um disco montado numa plataforma girantea plataformarotação simples do discoL2-4.3
um triedro girando dentro de outroo triedro intermediárioa segunda rotação, sozinhaL2-4.5, L2-4.6
um disco rolando sob uma barra que translaa barranulo no contato (não escorrega)L2-4.1

§4.1A regra de ouro também vale para \(\vec\omega\)

Nos exercícios com duas rotações encaixadas (L2-4.5, L2-4.6), o que se pede muitas vezes é a aceleração angular absoluta. A tentação é derivar componente a componente e parar. Errado: \(\vec\omega\) é um vetor como outro qualquer, escrito numa base que gira. Aplique a regra de ouro nele:

$$\vec\alpha_{\text{abs}} = \left.\frac{d\vec\omega_{\text{abs}}}{dt}\right|_{\text{rel}} + \vec\Omega\wedge\vec\omega_{\text{abs}}$$

onde \(\vec\Omega\) é a rotação da base em que você escreveu as componentes. O termo cruzado \(\vec\Omega\wedge\vec\omega\) é justamente o que produz componentes em direções que não apareciam no \(\vec\omega\) — e é onde quase todo mundo perde a questão.

Complementos: Por que as velocidades angulares somam se as rotações não comutam, e de onde vem o fator 2 pela regra do produto aplicada duas vezes a \(Q\vec a\): é o §C5 dos Complementos — abrir o §C5 →

Confira depois de tentar · o α do L2-4.5

O triedro \(Oxyz\) gira com \(\vec\Omega = \omega_1\vec k\); o plano \(AOB\) gira com \(\omega_2\) relativa a ele, em torno de \(Oy\). Logo \(\vec\omega_{\text{abs}} = \omega_2\vec\jmath + \omega_1\vec k\) — as duas rotações simplesmente somam.

Para \(\vec\alpha\), a derivada relativa das componentes dá \(\alpha_2\vec\jmath + \alpha_1\vec k\). Falta o termo cruzado:

$$\vec\Omega\wedge\vec\omega = \omega_1\vec k\wedge(\omega_2\vec\jmath+\omega_1\vec k) = -\,\omega_1\omega_2\,\vec\imath$$

Somando: \(\;\vec\alpha_{\text{abs}} = -\omega_1\omega_2\,\vec\imath + \alpha_2\,\vec\jmath + \alpha_1\,\vec k\). Repare na componente em \(\vec\imath\): ela aparece mesmo com \(\omega_1\) e \(\omega_2\) constantes (\(\alpha_1=\alpha_2=0\)). Duas rotações constantes em eixos diferentes produzem aceleração angular. Esse é o fenômeno por trás do giroscópio.

§5

Roteiro de ataque da Série #4

  • Declare os três atores. Escreva explicitamente: qual é o referencial fixo, qual é o móvel, e qual é o ponto \(P\) que você está seguindo. Metade dos erros da série é responder sobre o ponto errado.
  • Escolha o móvel pelo critério do §4 e confira: o movimento relativo ficou retilíneo ou nulo? Se não, troque.
  • Escreva \(\vec\omega\) do referencial móvel. É ele que entra em tudo — não a rotação do corpo que você está seguindo.
  • Monte \(\vec v_{\text{arr}}\) como corpo rígido: \(\vec v_{O'} + \vec\omega\wedge(P-O')\), congelando o movimento relativo.
  • Monte \(\vec v_{\text{rel}}\) olhando só para a peça móvel, como se ela estivesse parada.
  • Para a aceleração, três blocos separados — arrastamento (com o \(-\omega^2\) da centrípeta e o \(\vec\alpha\wedge\) da tangencial), relativa, e Coriolis. Escreva os três em linhas diferentes antes de somar.
  • Cheque o Coriolis pelas três condições do §3.1 antes de calcular. E confira a direção: \(\vec a_{\text{cor}}\) é sempre perpendicular a \(\vec v_{\text{rel}}\) e a \(\vec\omega\).
PadrãoComo reconhecerO que costuma bastarCai em
P-A
deslizamento numa peça
cursor, anel, luva, homem na escada Referencial = a peça. \(\vec v_{\text{rel}}\) ao longo dela; Coriolis quase sempre \(\neq 0\). L2-4.4, 4.7, 4.8
P-B
içamento / rotação de base
guindaste, plataforma, cabine Arrastamento é rotação pura em torno do eixo vertical; relativa é simples. L2-4.2, 4.3
P-C
rotações encaixadas
triedro dentro de triedro, hélice em carcaça girante \(\vec\omega\) soma; \(\vec\alpha\) não — precisa do termo \(\vec\Omega\wedge\vec\omega\) (§4.1). L2-4.5, 4.6
P-D
sem escorregamento
contato que não desliza, com o referencial numa peça móvel \(\vec v_{\text{rel}} = \vec 0\) no contato ⇒ Coriolis nulo; volta a ser Módulo 3. L2-4.1
As quatro armadilhas da Série 4

Usar o \(\vec\omega\) errado. Na fórmula entra a rotação do referencial móvel. Se o ponto pertence a um disco que gira dentro de uma plataforma que gira, o \(\vec\omega\) do arrastamento e do Coriolis é o da plataforma.

Esquecer o fator 2. Agora você sabe que são duas origens (§3). Quem decora costuma escrever \(\vec\omega\wedge\vec v_{\text{rel}}\) sozinho.

Derivar \(\vec\omega\) sem a regra de ouro. O termo \(\vec\Omega\wedge\vec\omega\) não é opcional (§4.1).

Esquecer a centrípeta do arrastamento. \(\vec\omega\wedge[\vec\omega\wedge(P-O')]\) tem módulo \(\omega^2 r\) e aponta para o eixo. Some com \(\vec\alpha = 0\).

§6

Recursos

Coriolis é o assunto em que a intuição visual rende mais do que qualquer texto. Comece pelo primeiro.

Purdue ME 274 — animações de referencial móvel

Trajetória relativa e absoluta desenhadas lado a lado, com o ponto em movimento.

É a V2 desta página em versão oficial, com outros mecanismos. Vale ver antes de cada exercício.

purdue.edu/freeform/me274

MIT OCW 2.003SC — rotating reference frames

A dedução completa da regra de ouro e da decomposição da aceleração, em vídeo.

Ouvir a dedução do §3 por outra voz é o melhor teste de que o fator 2 realmente fez sentido.

ocw.mit.edu/courses/2-003sc

França & Matsumura — Mecânica Geral

Capítulo de composição de movimentos, com a mesma notação de arrastamento/relativo da sua lista.

A nomenclatura "arrastamento" é da tradição francesa que o livro segue — e que o enunciado usa.

Bibliografia da disciplina.

Hibbeler — Dinâmica, movimento relativo

Muitos exercícios de eixos rotativos, com respostas.

Use para repetir o padrão P-A até a escolha do referencial virar automática.

Bibliografia da disciplina.

§7

Como tirar dúvidas comigo

Use os códigos: "não entendi o §3, segunda origem", "refaz o V3 com v_rel = 0", "aplica o P-C no L2-4.6", "me arguí sobre o §4.1".

Teste de saída — responda em voz alta, sem consultar
  • Por que a derivada de um vetor depende do referencial, se o vetor é o mesmo objeto?
  • De onde vêm as duas parcelas do termo de Coriolis? Descreva cada uma em uma frase.
  • Um ponto fixo na plataforma girante: quais dos quatro termos (arrastamento, relativa, Coriolis, absoluta) são nulos?
  • Duas rotações constantes em eixos perpendiculares. A aceleração angular é zero? Por quê?

§7.1O fecho da lista

Chegando aqui, as quatro séries se fecham numa frase só, a mesma do §0 do Módulo 1: um conjunto rígido de vetores só pode girar, e existe um único \(\vec\omega\) tal que \(\frac{d\vec u}{dt} = \vec\omega\wedge\vec u\).

SérieQuem era o \(\vec\omega\)O que ele gerou
#1o vetor de Darboux do triedro de Frenetcurvatura, torção, raio de curvatura
#2o vetor rotação do corpo rígido\(\vec v_B = \vec v_A + \vec\omega\wedge(B-A)\), equiprojetividade
#3o mesmo, perpendicular ao planoo CIR e os dezesseis mecanismos
#4a rotação do referencial móvelarrastamento, e o \(2\vec\omega\wedge\vec v_{\text{rel}}\)

Quatro fantasias, um teorema. Se você consegue contar essa história do começo ao fim, sem consultar nada, a Lista 2 está fechada — e você não decorou uma linha.